Notícia - Seja um nerd mais sociável e se destaque no mercado de TI

Seja um nerd mais sociável e se destaque no mercado de TI

Seja um nerd mais sociável e se destaque no mercado de TI

É de conhecimento geral a escassez de mão de obra no mercado de tecnologia da informação. Com uma demanda cada vez maior, vagas de TI se acumulam graças à falta de profissionais capacitados a cumprir as exigências requeridas. Agora, além do inglês e de conhecimentos técnicos, a sociabilidade do candidato pode fazer a diferença na hora da contratação do profissional e na posição em que ele vai trabalhar.

Completo conhecimento em idiomas, especialmente na língua inglesa, graduação em escolas reconhecidas e cursos extracurriculares continuam sendo importantes. A nova demanda da tecnologia, no entanto, pede um profissional ainda mais diferenciado: o sociável. “É um grande trunfo ter um profissional desses. Ele se relaciona com todas as áreas e com uma linguagem mais simples, atendendo à demanda de maneira mais rápida”, diz Diego Rondon, head hunter de TI da empresa de recrutamento Page Personnel.

A alta carga de estudos dos profissionais em formação, muitas vezes, acaba refletindo negativamente na sua vida social. Para conseguir atender a todas as disciplinas, alguns estudantes acabam deixando de lado o relacionamento interpessoal com amigos e família. De acordo com a psicóloga e diretora de recursos humanos da Catho, Telma Souza, a interação e o interesse pelas máquinas desde cedo também contribuem para um comportamento mais fechado. “Deve-se entender e respeitar o perfil de cada um, do introspectivo ao extrovertido, mas o profissional deve estar atento aos requerimentos pedidos para a vaga que ele deseja ocupar."

Focar apenas na parte técnica pode ser prejudicial para o profissional almejar cargos mais altos na empresa. Aqueles que saem do estigma de “nerd” e se relacionam com os clientes de forma mais natural conseguem atingir posições de destaque nas companhias. “A capacidade de explicar informações de forma mais simples, liderar e ter competência em negociações são essenciais para quem quiser ocupar cargos de gestão”, afirma Thyago Liberalli, diretor de novas tecnologias e inovação da recrutadora Catho.

Sociabilização começa na faculdade

Vagas, de fato, não faltam para quem se forma na área de tecnologia. Segundo levantamento da Page Personnel, 70 mil posições estavam em aberto no fim do ano passado somente na Grande São Paulo, cenário que não se altera muito graças à alta rotatividade do mercado. “Para concluir uma contratação, muito provavelmente esse novo funcionário vem de outra empresa, ou seja, fecha uma vaga, mas abre outra instantaneamente”, diz Rondon.

Querendo ajudar os seus alunos a conquistar os melhores empregos e também prepará-los para o mundo corporativo, a Escola Politécnica da USP organiza workshops e dá dicas desde como fazer o próprio currículo até a negociação com o colega da mesa ao lado. “Muitas empresas nos procuravam e falavam que os alunos eram ótimos tecnicamente, mas não conseguiam definir a própria vida”, diz Jorge Becerra, professor e coordenador de estágio de engenharia da computação da Poli.

Os eventos tentam atingir, principalmente, alunos a partir do terceiro ano, época em que a maioria começa a dar os primeiros passos profissionais na área. Almoço com empresas do porte de Microsoft e IBM e contato com profissionais de RH e psicólogos para ajudar a vencer a timidez são alguns dos serviços oferecidos. “Os alunos nos agradecem ao perceber os seus pontos fracos”, afirma Becerra.

Um desses universitários é André Pereira. Cursando o terceiro ano de engenharia da computação e já funcionário da empresa Software Express, o estudante de 22 anos valoriza a experiência profissional ainda dentro da própria instituição de ensino. "Os workshops me auxiliam com informações sobre as características e requisitos buscados pelas empresas e me mantêm atualizado em um mercado tão dinâmico”, diz Pereira, que participa dos eventos desde o início da graduação.

Apesar de ter vagas para todos, os profissionais que se adequarem a esse novo mercado também terão a responsabilidade de descomplicar a tecnologia em um tempo que ela se faz cada vez mais necessária nas empresas. “Eles serão os responsáveis por essa transição de imagem de que a tecnologia é algo complicado. Hoje, ela é a solução”, afirma Rondon.